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Publicado: 30/07/2026 13:45h

Dia do Engenheiro de Materiais marca 50 anos da regulamentação da profissão no Brasil

Dia do Engenheiro de Materiais marca 50 anos da regulamentação da profissão no Brasil

Primeiro da América Latina a formar engenheiros de materiais, país destaca uma profissão estratégica para a indústria e essencial ao desenvolvimento de tecnologias presentes no cotidiano

O Dia do Engenheiro de Materiais, celebrado em 31 de julho, ganha um significado especial em 2026: a data marca os 50 anos da Resolução nº 241/76 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), baixada em 31 de julho de 1976, que estabeleceu as atribuições profissionais do engenheiro de materiais no Brasil.

Meio século depois, a profissão, que nasceu discreta nos laboratórios das universidades, tornou-se uma das mais estratégicas para a indústria, presente no desenvolvimento de praticamente tudo o que compõe a vida moderna, do aço das estruturas às cerâmicas avançadas, dos polímeros das embalagens aos materiais que viabilizam baterias, semicondutores e implantes médicos.

A trajetória da área no país guarda ainda outro marco de pioneirismo: foi no Brasil, em 1970, que surgiu o primeiro curso de graduação em Engenharia de Materiais da América Latina, criado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A iniciativa partiu da percepção de que o desenvolvimento tecnológico nacional dependia de dominar a ciência por trás dos materiais, e não apenas de importar soluções prontas. Desde então, dezenas de cursos foram implantados em universidades de todas as regiões, consolidando uma comunidade técnico-científica que hoje projeta o país internacionalmente.

Segundo Valdomiro Roman da Silva, diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), essa trajetória colocou a profissão no centro do desenvolvimento nacional. “A engenharia de materiais cria as bases para a indústria e os produtos do futuro, transformando os recursos naturais abundantes do Brasil em tecnologia, inovação e competitividade, impulsionando a sustentabilidade e fortalecendo a soberania tecnológica do país. O desenvolvimento de novos materiais é um fator crítico na transição energética, indispensável para a geração de produtos verdes, na saúde, com os biomateriais, na nanotecnologia e na manufatura aditiva, entre uma diversidade de aplicações. E o engenheiro de materiais é o responsável por conduzir essa transformação”, afirma.

O trabalho do engenheiro de materiais parte de um princípio que estrutura toda a área: a relação entre composição, processamento, microestrutura e propriedades. É esse domínio que permite ao profissional selecionar, desenvolver e aprimorar metais, cerâmicas, polímeros e compósitos para cada aplicação, atuando em atividades que vão do controle de qualidade e da análise de falhas à pesquisa de novos materiais, passando por corrosão, tratamentos térmicos, reciclagem e desenvolvimento de produtos.

Cinquenta anos após a regulamentação, os desafios colocados à profissão se renovaram. A transição energética depende diretamente de avanços em materiais para baterias, painéis solares, turbinas eólicas e aços de baixa emissão de carbono. A eletrônica exige semicondutores e cerâmicas cada vez mais sofisticados. A agenda de sustentabilidade impõe o desenvolvimento de materiais recicláveis, biodegradáveis e de menor impacto ambiental. Ao mesmo tempo, ferramentas como manufatura aditiva, simulação computacional e inteligência artificial vêm encurtando ciclos de desenvolvimento que antes levavam décadas.

Desenvolvimento continuado

A própria história da ABM se funde com a consolidação dessa especialização de engenharia no Brasil. Fundada em 10 de outubro de 1944, sob a denominação de Associação Brasileira de Metais, a entidade acompanhou a ampliação do campo de conhecimento e incorporou os materiais ao seu nome e à sua atuação, refletindo a evolução de uma disciplina que extrapolou a metalurgia clássica para abranger toda a ciência e engenharia de materiais. Hoje, a associação congrega profissionais, pesquisadores e empresas dos três setores que dão nome à instituição: metalurgia, materiais e mineração.

Entre as contribuições da ABM para a área está o Journal of Materials Research and Technology (JMR&T), periódico científico lançado em 2011 e publicado em parceria com a editora Elsevier. De acesso aberto e totalmente em inglês, a revista figura entre as dez publicações mais bem avaliadas do mundo na categoria de metalurgia e engenharia metalúrgica, reunindo milhares de artigos de autores de mais de 35 países e ampliando a projeção internacional da produção científica brasileira em materiais.

A entidade também realiza a ABM Week, maior evento técnico-científico das áreas de materiais, metalurgia e mineração da América Latina, que chega à sua 10ª edição em setembro de 2026. A programação abriga o Congresso Anual da Associação, que alcança a 79ª edição, e o Enemet, Encontro Nacional dos Estudantes de Engenharia Metalúrgica, de Materiais e de Minas, que chega à 24ª edição. “O Congresso e as revistas técnicas da ABM são os principais veículos de divulgação da produção técnico-científica da área de materiais. Somente desta área, recebemos cerca de 280 trabalhos para o Congresso deste ano, individualmente o maior número de submissões por área de conhecimento. Já o Enemet reúne anualmente cerca de 400 estudantes de todo o país, em uma oportunidade única de debates e integração entre as principais universidades e as maiores empresas do setor”, destaca Roman.

A formação continuada dos profissionais integra a atuação da entidade. Ao longo do ano, a programação anual de cursos da ABM reúne capacitações de curta duração, nas modalidades on-line e presencial, ministradas por especialistas da indústria e da academia, com temas diretamente ligados à engenharia de materiais, como análise metalográfica, corrosão, tratamentos térmicos, análise de falhas e ensaios mecânicos, além de videoaulas disponíveis na plataforma de ensino à distância, no programa “ABM Ensina”. 

Ao celebrar o Dia do Engenheiro de Materiais, a ABM reafirma seu compromisso com a formação, a atualização e a valorização dos profissionais da área, o que a associação pratica de forma permanente, por meio de cursos, eventos, publicações e premiações que, há mais de oito décadas, conectam o conhecimento técnico-científico às necessidades da indústria brasileira e da evolução da sociedade.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Associação Brasileira de Metais - ABM
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