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Publicado 08/02/2018

Nova fase das ações de recuperação de Nascentes e APPS começa com o apoio dos proprietários rurais

Nova fase das ações de recuperação de Nascentes e APPS começa com o apoio dos proprietários rurais

Ao todo, 533 nascentes, em Minas Gerais e no Espírito Santo, foram selecionadas por programa da Fundação Renova

Cerca de 250 propriedades rurais receberão auxílio para a proteção de 533 nascentes, sendo 375 em Minas Gerais e 158 no Espírito Santo, no segundo ano de ações do Programa de Recuperação de Nascentes e outras APPs da Fundação Renova. A seleção das regiões de proteção ficou a cargo dos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH) Suaçuí, Pontões e Lagoas do Doce e Piranga, que definiram as cidades de Coimbra, São Vítor (distrito de  Governador Valadares), Galileia e Periquito, em Minas Gerais e Marilândia, Pancas e Colatina, no Espírito Santo, como foco deste ano. Ao lado das lideranças comunitárias e do poder público, os CBHs ainda participaram da mobilização dos agricultores inseridos nestas áreas.

Foram diversos encontros, coletivos e individuais, que culminaram com as Reuniões de Consentimento, em janeiro de 2018. Nestas ocasiões, técnicos e educadores puderam tirar as últimas dúvidas e explicar para os produtores rurais o cronograma, atividades e responsabilidades mútuas que envolvem o processo.

A próxima etapa do programa é a realização da cartografia social. Esta fase visa conhecer a fundo a história do local, propriedade e proprietários, além de suas práticas produtivas e culturais, como festas e alimentação. O objetivo é integrar a cultura e os valores dos agricultores e da vizinhança ao planejamento do uso do solo. Com essas informações, será criado um projeto individualizado para cada propriedade. O projeto detalha as práticas agropecuárias e conservacionistas a serem implantadas no local, com o foco principal na produção de água pela recuperação das nascentes.

Uma das principais premissas do programa é fazer com que o processo de recuperação vá além da restauração florestal em APP e que seja fonte de equilíbrio social, econômico e ambiental das propriedades. Para isso, é imprescindível a implementação de ações complementares e integradas com outros programas executados pela Fundação.

“A nossa proposta vai desde a mobilização até a capacitação e monitoramento dessas propriedades. Com isso, conseguiremos identificar lideranças, referências locais e pessoas que, independentemente da idade, tenham potencial de influenciar positivamente neste e em outros processos de educação para a revitalização. A ideia é que eles consigam dar continuidade ao processo e, ao mesmo tempo, incorporem no seu dia a dia melhores práticas socioambientais para a agricultura, floresta e pecuária” afirma Antônio Sergio Cardoso Filho, analista do programa de uso sustentável do solo da Fundação Renova.

Após definido e aceito o projeto para cada área, o produtor rural irá receber, além dos insumos para as obras de recuperação, uso de maquinário e assistência técnica rural para conduzir todo o processo.

Plantio de Mudas

Com a participação ativa do produtor rural e com o apoio de técnicos agrícolas, ambientais, agropecuários e florestais, o Instituto Terra concluiu o plantio de 117 mil mudas de espécies da Mata Atlântica nas primeiras 511 nascentes de afluentes do Rio Doce protegidas pela Fundação Renova. A parceria do instituto com a Fundação Renova, que teve início em novembro de 2016, tem o objetivo de promover a revitalização do Rio Doce. As nascentes estão localizadas na bacia do Rio Suaçuí (municípios de Jampruca, Campanário, Itambacuri e Frei Inocêncio, em Minas Gerais; e na bacia do Rio Pancas (municípios de Pancas, Governador Lindenberg, Marilândia e Colatina, todos no Espírito Santo). Ao todo, 215 proprietários aderiram à proposta.  

Francisco Leal, produtor rural de Itambacuri (MG), aprendeu muito com as ações de reflorestamento. “Abraçamos a causa a partir de reuniões e dias em campo. Na propriedade onde atuo, cercamos três nascentes. O plantio chegou a 1 mil mudas, sendo que 99% já estão em desenvolvimento”, afirma. A meta é recuperar 5 mil nascentes da bacia do Rio Doce em 10 anos.

De acordo com o líder dos programas Socioambientais da Fundação Renova, Lucas Scarascia, a determinação do TTAC abre novas frentes de atuação na área de reflorestamento. “É uma grande oportunidade de desenvolvimento de uma rede de fornecimento de sementes e mudas produzidas localmente, acoplada às políticas públicas existentes. Abrimos caminhos para que ações como estas sirvam de exemplo para outras etapas de recuperação”, diz ele.



Fonte: Fundação Renova