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Publicado 08/08/2019

Vale anuncia investimentos para abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte

Vale anuncia investimentos para abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte

Projetos orçados em torno de R$ 450 milhões contemplam intervenções nas bacias do Rio Paraopeba e do Rio das Velhas

A Vale aplicará cerca de R$ 450 milhões em uma série de ações nos sistemas de captação de água para abastecimento da capital mineira: Bacia do Rio Paraopeba e Bacia do Rio das Velhas. Essas medidas fazem parte do Termo de Compromisso homologado esta semana entre Vale e Copasa com as participações dos Ministérios Público Estadual e Federal.

O objetivo das ações é restabelecer o sistema de abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), uma vez que será entregue a mesma vazão de água para abastecimento, que ficou temporariamente comprometido com a proibição de captação de água no rio Paraopeba após o rompimento da barragem B1, em Brumadinho.

Pelo acordo, a Vale se compromete a construir um novo sistema de captação de água no Rio Paraopeba, realizar ações preventivas na captação no Rio das Velhas e a contratar uma auditoria externa que irá, entre outros pontos, analisar os projetos e acompanhar o volume de água armazenado nos reservatórios da RMBH.

Belo Horizonte e Região Metropolitana possuem dois principais sistemas de captação para abastecimento de água sob a responsabilidade da Copasa, que englobam estações de captação e tratamento localizadas nas bacias do Rio Paraopeba e Rio das Velhas. No caso da bacia do Rio Paraopeba, a captação é realizada nas represas de Rio Manso, Serra Azul, Vargem das Flores, além do Rio Paraopeba. No Rio das Velhas há a captação direta no rio, em Bela Fama.

Nova captação de água no Paraopeba

O novo ponto de captação de água será construído a aproximadamente 12 km da atual estrutura de captação da Copasa no Rio Paraopeba, em Brumadinho. Pelo projeto, o novo sistema terá a mesma vazão, de 5 mil litros por segundo, da captação atualmente suspensa e seguirá as mesmas premissas de engenharia. O novo sistema de captação no Paraopeba será implantado fora da mancha de inundação de barragens da Vale.

O sistema de captação de água consiste em uma estrutura de engenharia projetada para retirada da água de um determinado ponto - como o leito de um rio - para transferência através de tubulação ou canal até outro ponto como, por exemplo, uma ETA (Estação de Tratamento de Água). A transferência pode ser realizada por gravidade, bombeamento ou por meio da integração das duas metodologias, a depender da topografia (relevo) da região.

Para o projeto de captação no rio Paraopeba para a Copasa, o sistema contará com bombas para captação da água no rio e transferência através de tubulação até uma caixa de areia, que possui o objetivo de reduzir o percentual de sólidos na água. A estrutura contará também com uma nova rede e subestação de energia elétrica, o que está sendo discutido com a Cemig.

Em seguida, por gravidade, a água será transferida para um reservatório. A partir desse reservatório, o sistema contará com mais cinco bombas de maior potência para transbordo da água através de uma tubulação até a ETA (Estação de Tratamento de Água) do Rio Manso.

As obras, de acordo com o cronograma apresentado pela Vale às autoridades, terão início em outubro e devem gerar mais de 300 empregos diretos no pico das obras. A Vale, atendendo à política interna, privilegiará a contratação de mão de obra local.

De acordo com o termo de Compromisso, o prazo limite para conclusão das obras é setembro de 2020. A Vale e a Copasa estão trabalhando em conjunto visando a conclusão do projeto dentro dos prazos acordados.

Rio das Velhas

A bacia do Rio das Velhas também está no foco do Termo de Compromisso assinado pela Vale e Copasa. Embora não tenha sido impactado, o Rio das Velhas receberá investimento preventivo. Uma das ações é a construção de uma barreira de contenção que circundará a captação de Bela Fama, em Nova Lima. Esse encapsulamento será capaz de, em caso de eventualidade, proteger a estação preservando a estrutura e seus equipamentos. A barreira terá cerca de 3 metros de altura e 300 metros de extensão e já está em fase de construção, com previsão de conclusão em outubro.

Além da barreira, a Vale também está estudando um sistema complementar para a Estação de Tratamento de Bela Fama. O objetivo dessa medida é reforçar o sistema, aumentando a eficiência dos atuais processos de tratamento, garantindo a potabilidade da água mesmo que ocorram eventuais alterações.

Ensaios de Tratabilidade

A Vale, em parceria com pesquisadores do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, está realizando estudos para avaliação da qualidade da água a montante da Estação de tratamento de Bela Fama, em Nova Lima. Os estudos permitem fazer um diagnóstico da qualidade da água e sedimentos de fundo no rio das Velhas e seus afluentes, além da avaliação da composição do rejeito das barragens e seus eventuais impactos na qualidade da água.

Os pesquisadores estão fazendo ensaios de tratabilidade, considerando as análises laboratoriais da água, sedimentos e o rejeito, e qual o tipo de tratamento necessário para garantir a potabilidade em eventual rompimento. Os resultados estarão disponíveis até o final de dezembro deste ano.

Monitoramento do Rio Paraopeba

Desde o rompimento da B1, a Vale implantou uma série de ações para monitorar a qualidade da água do rio Paraopeba. O trecho impactado vai da B1 até a usina de Retiro Baixo, no município de Pompéu (MG). Ao todo, são 315 km de extensão do rio.

Atualmente, são 67 pontos de monitoramento cobrindo uma área de mais de 2,6 mil km de extensão do rio. Já foram feitas cerca de 2 milhões de análises de água, solo e sedimentos, considerando 393 parâmetros. Além da análise da água superficial, também foram coletadas amostras em profundidade de dois metros. Os resultados são comparáveis às águas superficiais, estando dentro da normalidade. O trabalho vem sendo conduzido por quatro laboratórios especializados, envolvendo aproximadamente 250 profissionais.

As análises da Vale e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) mostram que a pluma de sedimentos parou no reservatório da Usina de Retiro Baixo. Desde o fim de março, o Igam não detecta níveis de mercúrio e chumbo acima dos limites legais. A presença desses metais pesados foi o que levou a autarquia estadual a proibir a captação direta da água do rio. A proibição ainda se mantém como medida preventiva.



Fonte: Assessoria de Comunicação - VALE