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Publicado 10/06/2017

Nova espécie botânica da Mata Atlântica brasileira é oficialmente reconhecida pela Ciência

Nova espécie botânica da Mata Atlântica brasileira é oficialmente reconhecida pela Ciência
Uma descoberta recente feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) permitiu o registro, por parte da Ciência, de uma nova espécie botânica para a Mata Atlântica brasileira. O artigo que descreve a nova planta foi publicado em julho deste ano na revista científica Brittonia. A descoberta foi feita na Reserva Natural Vale, área conservada de Mata Atlântica que a Vale mantém em Linhares, no Norte do Espírito Santo. Batizada como Ephedranthus dimerus, a nova árvore recebeu o nome vulgar de pindaíba-preta e é a única do gênero Ephedranthus já registrada para esse bioma.

Outro fato marcante em relação à descoberta é que se trata da primeira do gênero Ephedranthus que apresenta as chamadas flores dímeras, ou seja, com duas pétalas, característica que lhe concedeu o epíteto dimerus. A partir de análise feita tanto em uma exsicata da espécie - ou seja, em uma amostra seca da planta, que compõe o acervo do herbário da Reserva -, quanto em material "fresco" coletado em campo, também na própria Reserva, chegou-se à conclusão de que realmente se tratava de uma nova espécie.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pela descoberta, a Ephedranthus dimerus é endêmica do Brasil e ocorre na Mata Atlântica de Minas Gerais, do Espírito Santo, do sul da Bahia e em uma única localidade no norte desse mesmo estado. Seu período de floração acontece entre setembro e novembro, e a frutificação entre os meses de janeiro e julho.  

Pesquisas com flora A Reserva Natural Vale constitui-se como um grande banco genético e abrigo de diferentes espécies de fauna e flora da Mata Atlântica. Para se ter ideia, nos últimos cinco anos, 23 novas espécies botânicas foram oficialmente reconhecidas pela Ciência a partir de material coletado na Reserva Natural Vale. Desse total, duas descobertas foram efetuadas neste ano. Somente no ano passado, cerca de 72% de todas as pesquisas realizadas na Reserva foram relacionadas à flora, incluindo ecologia vegetal, restauração florestal e silvicultura. Juntamente com a Reserva Biológica de Sooretama, a Reserva Natural Vale forma o maior remanescente florestal do estado do Espírito Santo e consiste em um dos mais representativos do bioma Mata Atlântica no país. Desde 1981, quando se efetuou a primeira publicação de uma nova espécie para a Reserva, o número de novas plantas oficialmente reconhecidas pela Ciência a partir de material coletado no local chega a quase 80.  

Herbário da Reserva Natural Vale O Herbário da Reserva Natural Vale (RNV) é uma coleção científica que contribui para o conhecimento da flora da Mata Atlântica. Como resultado desse trabalho, em torno de 2.800 espécies de plantas já foram registradas para a Reserva. Atualmente, amostras de espécies botânicas coletadas na RNV integram o acervo de diferentes herbários do Brasil e do mundo. É o caso do Virtual Botanic Garden, do New York Botanical Garden, do Missouri Botanical Garden e do Royal Bontanic Gardens, alguns dos maiores herbários do mundo que também disponibilizam o material para consulta pela internet. No Brasil, contam com material coletado na Reserva o Instituto de Botânica de São Paulo, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre outros. Esse compartilhamento de informações, que teve início em 2004, proporcionou a descoberta de espécies e gêneros da Mata Atlântica que até então eram desconhecidos pela Ciência. É o caso da Spiranthera atlantica, árvore que foi identificada na Reserva Natural Vale em 2010 e que recebeu o nome popular de "fava-de-quatro". No herbário da Reserva Natural Vale, que é referência mundial e também pode ser consultado tanto in loco quanto virtualmente, existem hoje cerca de 14 mil amostras de plantas.

Reserva Natural Vale A Vale mantém em Linhares, no Norte do Espírito Santo, uma das maiores áreas protegidas de Mata Atlântica do país. Com cerca de 23 mil hectares, a Reserva Natural Vale é um dos últimos grandes remanescentes de Floresta de Tabuleiro, uma das formações atualmente mais ameaçadas do bioma Mata Atlântica. Pela sua importância no desenvolvimento de metodologias e tecnologias para uso sustentável dos recursos naturais, incentivo e apoio ao desenvolvimento de conhecimento científico e realização de ações para proteção da biodiversidade, a Reserva recebeu da UNESCO, em 2008, o título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Além da conservação da diversidade biológica, são desenvolvidas na RNV pesquisas científicas de importante repercussão para a sociedade e essenciais para o conhecimento e conservação da Floresta de Tabuleiro.

Desde que foi iniciado o processo de aquisição das propriedades que deram origem à Reserva pela Vale, na década de 1950, já foram catalogadas na Reserva mais de 2.800 espécies vegetais, mais de 1.500 morfoespécies de insetos e 111 espécies de mamíferos, além de 66 espécies de anfíbios, 69 de répteis e 380 espécies de aves.  

A Reserva é aberta ao público. Além de trilhas temáticas, conta também com um Centro de Visitantes, além de setor de hospedagem com total infraestrutura e capacidade para receber grupos em atividades de lazer e para a realização de eventos e cursos.


Fonte: Assessoria de Imprensa Vale