Notícias - Gerais

Publicado 05/07/2016

Boas práticas de cultivo e colheita de pimenta-rosa são tema de pesquisa do Incaper

Boas práticas de cultivo e colheita de pimenta-rosa são tema de pesquisa do Incaper

A pimenta-rosa, fruto da aroeira, é uma espécie muito presente no litoral do Sul e Sudeste do Brasil e tem sido bastante requisitada como condimento em mercados internacionais. Diante desse cenário, agricultores capixabas têm apostado no seu cultivo, mas ainda são necessários estudos sobre boas práticas de cultivo e colheita dessa planta.

Com o objetivo de trazer respostas técnicas a essa demanda socioeconômica, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) realiza pesquisas há três anos sobre essa temática. O projeto intitulado “Seleção, manejo, caracterização botânica e fitoquímica de genótipos de aroeira”, que faz parte do Projeto Biomas Mata Atlântica, é coordenado pela bióloga do Incaper Fabiana Ruas e possui experimentos no município de Sooretama.

Esse projeto também serve de base para estruturar e ampliar o Banco Ativo de Germoplasma-BAG, localizado na Fazenda Experimental Engenheiro Reginaldo Conde, em Jucuruaba, município de Viana, que contém uma seleção dos melhores materiais genéticos de aroeira coletados e avaliados no Estado.

De acordo com Fabiana, existe uma grande demanda por pesquisas com aroeira. “O Espírito Santo tem sido o maior exportador de pimenta-rosa do Brasil. No entanto, os agricultores que trabalham com aroeira ainda estão passando da fase do extrativismo para o plantio comercial. Assim, o cultivo de aroeira requer, como qualquer outro plantio com fins comerciais, técnicas de adubação, espaçamento, poda, controle de pragas e doenças, as quais estão sendo estudadas pelo Incaper”, explicou a bióloga.

Ela também disse que, por se tratar de uma cultura de exportação, os cuidados com manejo e colheita devem ser minuciosos. “As pesquisas que envolvem a biologia floral da aroeira poderão viabilizar que a produtividade dobre por hectare, o que evita, por exemplo, perda de área de plantio”, falou Fabiana.

Seleção e boas práticas de cultivo

O projeto de pesquisa do Incaper, que está em curso há três anos, busca justamente responder aos diversos desafios apresentados na seleção, manejo e colheita da aroeira.

“Buscamos selecionar os melhores materiais genéticos dessa cultura no Estado para a formação de clones. Esse material encontra-se no nosso Banco Ativo de Germoplasma. Agora iremos verificar se as plantas clonadas apresentam os mesmos resultados que as plantas mães. Em breve, materiais propagativos selecionados, com boa produtividade poderão ser disponibilizados para os agricultores, já com o perfil fitoquímico estudado e caracterizado, podendo trazer agregação de valor à cultura e inovação a partir de outros produtos explorados na planta”, afirmou Fabiana.

A redução do extrativismo da aroeira conduzido de forma não sustentável é também objetivo dessa pesquisa do Incaper.

“O estudo das técnicas adequadas para o cultivo de aroeira é fundamental porque o extrativismo predatório, além de colocar em risco potencial produtivo da planta, reduz a cada ano sua produtividade. O manejo inadequado e a exploração predatória provoca a degradação de ambientes preservados, como Unidades de Conservação, Áreas de Preservação Permanentes (APP’s) e ecossistemas associados à Mata Atlântica, como restingas e manguezais”, concluiu a pesquisadora.

Novos nichos de mercado e agregação de valor

A agregação de valor à cultura da aroeira também é um dos objetivos das pesquisas realizadas pelo Instituto. “Além do fruto, é possível explorar as folhas da aroeira, que geralmente são descartadas após a colheita dos frutos. Para isso, é preciso fazer uma análise fitoquímica dos componentes da planta. Como a aroeira é uma espécie selvagem, de grande variabilidade genética, é preciso buscar padrões que atendam às diversas necessidades da indústria, como nas áreas de perfumaria, óleos essenciais, fitofármacos e rações”, disse a bióloga Fabiana Ruas.

A pesquisa desenvolvida pelo Incaper conta com a parceria de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

O Projeto Biomas, coordenado pela Embrapa Florestas e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no qual a pesquisa sobre aroeira está inserida, é realizado em âmbito nacional, tem como financiador atual o BNDES e apoio da Monsanto, Sebrae, Senar e John Deere. Os resultados dessa pesquisa com aroeira devem estar disponíveis à sociedade a partir de 2017.

Usos da aroeira

A pimenta-rosa, conhecida também como aroeira (Schinus terebinthifolius), é uma espécie muito presente no litoral do Sul e Sudeste do Brasil e tem sido bastante requisitada como condimento em mercados internacionais. Marcada pelo sabor doce e aromático, é bastante conhecida pelo uso culinário. Porém, além do uso condimentar, a aroeira é utilizada na indústria farmacêutica. Desde 2010, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer fitoterápicos produzidos à base das cascas da aroeira nos postos de saúde.

O saber popular na área da saúde, bastante disseminado pelas Pastorais Sociais, já recomendava o uso da aroeira para problemas de pele causados por fungos. Ela é bastante conhecida pela ação cicatrizante e fungicida.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Incaper